quarta-feira, 28 de setembro de 2011

EUROPA | TAXA ‘TOBIN’ UE RENDERÁ 55 MIL MILHÕES POR ANO

Durão Barroso apresentou hoje uma taxa mínima sobre compra e venda de acções, obrigações, títulos e derivados, que cobre 85% das transacções financeiras da UE e poderá render até "55 mil milhões de euros", afirmou no discurso de Estado da União diante dos eurodeputados em Estrasburgo.

Trata-se de uma taxa "muito reduzida". A Comissão deverá finalizar os detalhes esta manhã. Num esboço recente da proposta, a Comissão trabalhava com uma taxa na ordem de 0,1% sobre acções e obrigações e de 0,01% sobre derivados.

A taxa pretende colmatar a isenção de IVA nos serviços financeiros e benefícios fiscais anuais. Barroso lembrou que os "Estados empenharam 4,6 biliões de euros para resgatar o sector financeiro" que beneficia de "vantagens fiscais de aproximadamente 18 mil milhões de euros por ano com isenções de IVA nos serviços financeiros". "É altura do sector financeiro dar uma contribuição para a sociedade", disse Barroso. Assim se faz com que "o sector financeiro contribua para o custo da retoma económica e desencoraje o comércio arriscado e improdutivo", nota a proposta a que o DE teve acesso.

A decisão terá de ser tomada por unanimidade no Conselho Europeu e conta já com a oposição de países como o Reino Unido e a Suécia. O estudo de impacto encomendado pela Comissão diz que "com uma taxa de 0,1% [a todas as transacções financeiras, que não é exactamente o que está na mesa], o modelo demonstra uma redução do PIB [-1,76%] no longo prazo". É provável que a taxa fique abaixo deste nível justamente porque a Comissão desvaloriza estes riscos e assegura que terá impacto "negligenciável" para o crescimento.

A proposta foi um dos maiores trunfos do discurso de "Estado da União" de Durão Barroso aos eurodeputados, que pretende lançar pistas para o futuro do bloco dos 27 numa altura em que enfrenta a maior crise da sua existência. Esta taxa "muito reduzida", que se inspira na iniciativa do Nobel da Economia James Tobin nos anos 70, pretende "reduzir o risco das falhas de mercado" e visa co-financiar o orçamento comunitário, libertando os estados das suas contribuições nacionais. "Não se incluem transacções tipicamente levadas a cabo por bancos a retalho nas suas relações com famílias ou empresas, excepto quando se relacionem com a compra ou venda de obrigações ou acções", explica o documento.

Bruxelas avança para uma proposta a 27 prevendo colocá-la na mesa do G20 em Novembro na cimeira de Cannes, onde a oposição virá dos EUA. Há responsáveis que defendem que a proposta deve ser considerada só na zona euro, se falhar o consenso noutros fóruns. Note-se que a Bélgica, o Chipre, a França, a Finlândia, a Grécia, a Irlanda, a Itália, a Roménia, a Polónia e o Reino Unido "já têm uma forma de taxa sobre transacções financeiras em vigor".

A ideia é criar uma base comum, mínima para todos, e por isso estes países "podem ter de modificar as suas regras para as alinhas com esta proposta", explica o documento. Bruxelas age com base num mandato do próprio Conselho movido pelo interesse alemão e francês, e também pela opinião de 65% dos cidadãos europeus que num eurobarómetro se mostraram favoráveis à ideia.

Tendo como alvo "bancos de investimentos, mercados organizados, instituições de crédito, seguradoras, hedge funds, empresas de leasing financeiro", a taxa seria baseada no "princípio da residência da instituição financeira ou corretor", ou seja a "tributação terá lugar no Estado em que a instituição financeira envolvida na transacção está sedeada". De fora do âmbito da taxa ficam todas as transacções em que famílias ou PME foram envolvidas. Por exemplo, hipotecas, empréstimos a PME, contribuições para contratos de seguros, emissão de títulos de obrigações no mercado primário para angariação de capital por empresas ou entidades públicas também não são tributados.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

AUTARQUIAS | DOCUMENTO VERDE DA REFORMA DA ADMINISTRAÇÃO LOCAL

ECONOMIA | PRODUÇÃO DA AUTOEUROPA VAI SUBIR 30% EM 2011

A fábrica de automóveis deverá registar este ano um aumento de produção de 30 por cento e conseguir os melhores resultados dos últimos cinco anos.
 
 
«Neste momento já estamos com um crescimento robusto relativamente ao ano passado. Esperamos um aumento de cerca de 30 por cento da produção em relação a 2010», disse António de Melo Pires, acrescentando que a empresa está a produzir 625 carros por dia, o máximo possível em dois turnos, mas que ainda tem a possibilidade de avançar para um terceiro turno.
 
O bom momento da fábrica de Palmela deve-se, fundamentalmente, a um aumento significativo das encomendas provenientes de países europeus, principalmente da Alemanha, mas também do continente asiático, com destaque para o mercado chinês.
 
«A China era o nosso sexto maior mercado, o ano passado passou para quinto e, neste momento, já está quarto, com boas possibilidades de ultrapassar o terceiro, os Estados Unidos», disse.
 
Embora a previsão do aumento de produção referida por António de Melo Pires tivesse sido de «30 por cento», os valores registados nos primeiros oito meses de 2011 já representam um acréscimo de 53,2 por cento relativamente ao mesmo período de 2010.
O anúncio foi feito pelo director-geral da Autoeuropa, que falava em conferência de imprensa, onde apresentou os resultados da empresa nos primeiros oito meses de 2011.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

IMPOSTOS | ESPANHA ANGARIA MIL MILHÕES DE EUROS COM IMPOSTO SOBRE MAIORES FORTUNAS

São 160.000 os contribuintes espanhóis que serão “contemplados” com o imposto espanhol sobre o património que tinha sido suspenso em 2008 e que foi reformulado para incidir apenas sobre as grandes fortunas, avança o “El País”, citando a ministra da Economia, Elena Salgado.

O Executivo espanhol, que aprovará a medida amanhã em conselho de ministros, decidiu elevar o montante mínimo que isenta o pagamento deste imposto, dos actuais 120.000 euros para 700.000 euros, e prevê-se que só esteja em vigor este ano e no próximo.

Assim, são 160.000 os espanhóis que, segundo os cálculos do governo, têm bens de forma individual – não familiar – acima de 700.000 euros, sem contar com os primeiros 300.000 euros correspondentes ao valor médio das casas.

Este número representa uma redução significativa dos que ficam sob alçada deste imposto, diz o “El País”. Com efeito, em 2007 (último ano em que tinha sido cobrado), eram mais de 900.000. Nesse ano, o Estado angariou 2.121 milhões de euros com o referido imposto, aproximadamente o dobro do que prevê receber agora.

BANCA | MORGAN STANLEY ELEGE O BBVA COMO MELHOR BANCO ESPANHOL

O BBVA é o único banco espanhol com recomendação de compra no último relatório publicado pela Morgan Stanley, que reiniciou a sua cobertura de entidades espanholas. À recomendação de compra adiciona-se um preço –alvo de 8,5 euros por acção.

A Morgan Stanley prefere o BBVA frente aos restantes bancos, pela sua resistência de resultados em Espanha, pelo seu crescimento no México e na América do Sul, menores necessidades de financiamento para os próximos anos,  pela sua força de capital e a sua atractiva valorização, entre outros argumentos. 

O modelo de banca de retalho e a exposição à América Latina, que atravessa um ciclo de crédito mais favorável, dão ao BBVA uma maior força de resultados, segundo a Morgan Stanley. 

A resistência de resultados em Espanha para o BBVA baseam-se num menor estreitamento de margens e uma melhor qualidade de activos, disse Morgan Stanley. No seu relatório, o BBVA tem a menor exposição ao mercado imobiliário e promotor (após Bankinter) e além disso, tem as maiores provisões.

Goldman Sachs corta avaliações de bancos portugueses e recomenda o BBVA

Por outro lado, ainda esta semana a comunicação social noticiava que os bancos portugueses não escaparam à chuva de revisões em baixa que o Goldman fez para a banca europeia.

“O BCP e o BPI viram o seu preço-alvo cortado em 17% e 13%. Para o banco liderado por Carlos Santos Ferreira, o Goldman baixou o preço-alvo a 12 meses de 0,40 para 0,33 euros. E espera que o banco apresente prejuízos este ano, já que estimam uma perda de 0,02 euros por acção. Para o BPI, o preço-alvo passou de 1,15 para um euro. Já a estimativa do lucro por acção em 2011 manteve-se em 0,12 euros. Por seu lado, o BES foi alvo de um corte mais ligeiro. Os analistas do Goldman baixaram-no em 3% para três euros. 

Já no sector europeu, o Goldman elege um grupo restrito de bancos que considera merecerem a aposta dos investidores: HSBC, BBVA e Erste Bank.” (in Diário Económico).

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

GRÉCIA | JUROS ACIMA DE 50% COM EMPRÉSTIMO EM RISCO

O juro das obrigações gregas a 2 anos estão a disparar perto de 300 pontos para cima dos 50% pela primeira vez.

A percepção de risco da parte dos investidores em relação à Grécia está hoje a agravar-se, o que é visível tanto na evolução dos indicadores de risco da dívida do país como da bolsa de Atenas. 

Os juros das obrigações gregas agravam-se em todos os prazos, com a maturidade a 2 anos a disparar 294 pontos até aos 50,145%, o valor mais elevado desde que o euro foi criado, pelo menos. Também as 'yields' a 5, 7, 8 e 10 anos sobem mais de 100 pontos. 

Esta subida dos indicadores de risco da dívida helénicos surgem numa altura em que estão suspensas as negociações entre o FMI e a Grécia para a libertação de uma nova tranche do primeiro resgate ao país. 

Na bolsa, o principal índice grego perde mais de 3%, em sintonia com os mercados accionistas europeus.

Esta evolução acontece na véspera de a Grécia tentar colocar no mercado mil milhões de euros em títulos de dívida com maturidade de seis meses.

domingo, 4 de setembro de 2011

CHINA | FACTURAÇÃO DAS 500 MAIORES EMPRESAS CHINESAS CRESCE 31,6% EM 2010

O volume de negócios das 500 maiores empresas chinesas cresceu 31,6 por cento em 2010, face ao ano anterior, atingindo os quatro biliões de euros, anunciou hoje a agência Nova China.

A primeira empresa chinesa, em termos de facturação, é a produtora e refinadora de petróleo Sinopec, com 217 mil milhões de euros, enquanto a segunda é a sua concorrente a China National Petroleum Corp (CNPC), com 190 mil milhões de euros, segundo o ranking da Confederação das Empresas Chinesas e da Associação dos Directores Chineses de Empresas Chinesas.

Na terceira posição surge a eléctrica State Grid, que alcançou um volume de facturação de 169 mil milhões de euros.

No grupo das primeiras dez empresas do 'ranking', todas detidas maioritariamente pelo Estado, está ainda o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC), a operadora China Mobile, as sociedades do sector ferroviário China Railway Group e China Railway Construction, a China Construction Bank, a seguradora China Life Insurance e o Banco da Agricultura da China.

Os lucros conjuntos das 500 primeiras sociedades chinesas cresceram 38,67 por cento no ano passado, para 229 mil milhões de euros, face ao ano anterior, avançou a agência Nova China.

Fonte: www.sol.pt

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

MINISTÉRIO DAS FINANÇAS | DOCUMENTO DE ESTRATÉGIA ORÇAMENTAL



Consulte o documento de Estratégia Orçamental [2011-2015] que foi hoje apresentado pelo Ministro das Finanças.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

OPINIÃO DE HELENA GARRIDO | A CRISE COMO VAI SER

Os pequenos comerciantes estão a deixar de ter máquinas para pagamentos electrónicos. A produção de automóveis em Julho só encontra paralelo com o que se passou há cinco anos. Duas faces do que será, no melhor dos cenários, a tendência da economia portuguesa nos próximos quase dois anos.

O cancelamento das máquinas de pagamento automático, uma notícia que se pode ler na página 9 da edição do Negócios em papel, deve-se, claro, à queda das vendas e ao Fisco. A pressão fiscal a que todos começam a estar submetidos num ambiente recessivo vai tornar a famosa curva de Laffer uma realidade na sua vertente menos desejável - sobem os impostos, cai a receita mais do que era esperado pela recessão.

A subida das exportações explica o que se passa no sector automóvel e já está a arrastar as indústrias a montante. A HUF, fábrica de origem alemã que, em Tondela, produz peças para automóveis, prepara-se para investir nove milhões de euros em maquinaria. Há pouco mais de um ano, esteve em risco de fechar.

A queda do consumo que reflecte as decisões dos pequenos comerciantes de desistirem das máquinas de pagamento electrónico é uma tendência certa que só podemos esperar que se agrave. Já menos certa é a subida das exportações. Espelho da conjuntura de crescimento do resto do mundo, o aumento das vendas para o exterior pode estar ameaçado com as nuvens que se começam a ver no horizonte financeiro. Uma recessão nos Estados Unidos, um abrandamento na Alemanha e uma aterragem brusca na China significam para Portugal contagiar a crise às empresas que exportam. Mas é isto que os investidores estão, neste Agosto, a profetizar.

O medo financeiro 

A bolsa europeia, medida pelas cotações das 600 maiores empresas europeias, caiu 15% neste mês de Agosto, enquanto a sua congénere europeia (S&P 500) desvalorizou 12,5%. A taxa de juro de longo prazo da dívida pública dos Estados Unidos e da Alemanha está em mínimos históricos, revelando que, apesar de todas as instabilidades políticas, os investidores ainda procuram protecção nesses títulos.

A mostrar também que os investidores ainda se abrigam no crédito aos Estados vistos como sendo de referência. A corrida ao ouro tem sido a grande marca deste Verão: nos 15 dias úteis que leva Agosto, subiu mais de 250 dólares por onça. Neste momento já se aposta que vai ultrapassar a barreira dos dois mil dólares, como se pode ler nas páginas 18 e 19 da edição impressa do Negócios. Ontem, o ouro esteve em torno dos 1.894 dólares por onça.

Os mercados financeiros vivem um Verão de medo, gerado pela falta de confiança que transformará numa realidade a profecia de uma nova recessão. As comparações com o pesadelo que foi o pós-falência da Lehman Brothers em Setembro de 2008 são cada vez mais frequentes. Com uma diferença: nessa altura, os Estados Unidos e a Europa ainda tinham margem de manobra orçamental.

Dramaticamente mais do que naquela altura, evitar o coma da economia está nas mãos dos bancos centrais. O presidente da Reserva Federal, é essa a expectativa, deverá anunciar na sexta-feira uma terceira iniciativa de impressão de dólares - o designado "quantitative easing". Do lado de cá do Atlântico, o BCE regressou à compra, em força, de obrigações, uma iniciativa que não será capaz de evitar que a recessão norte-americana seja exportada para a Europa.

No mundo global em que vivemos hoje, será preciso aumentar a oferta de dólares e euros, ao mesmo tempo, para que os ganhos dos norte-americanos não se transformem em perdas da Europa, por via da valorização da moeda única. E, claro, a China tem de viabilizar a apreciação do yuan. Se assim não for, há todas as razões para ter medo.

sábado, 20 de agosto de 2011

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

CALENDÁRIO FISCAL


Até 10 de Agosto
IVA Regime Mensal
Fim do prazo de entrega das declarações relativas às operações efectuadas no mês de Junho de 2011.

Entre 10 e 20 de Agosto
Segurança Social
Prazo para efectuar o pagamento da Segurança Social do mês de Julho de 2011.

Até 17 de Agosto
IVA Regime Trimestral
Fim do prazo de entrega das declarações relativas às operações efectuadas no 2º trimestre de 2011.

Até 22 de Agosto
IRS / IRC e Imposto do Selo
Fim do prazo de entrega da Declaração de Retenções na Fonte IRS/IRC e Imposto do Selo com as retenções efectuadas no mês anterior. E, data limite do pagamento das retenções efectuadas no mês anterior, declaradas na Declaração de Retenções na Fonte de IRS/IRC e Imposto do Selo.

Até 31 de Agosto
IUC - Matrículas Agosto
Data limite do pagamento do Imposto Único de Circulação - IUC, relativo a veículos à data do aniversário da matricula que ocorra no presente mês (substitui os anteriores Imposto Municipal sobre Veículos e os impostos de circulação e camionagem). As pessoas singulares poderão solicitar a liquidação em qualquer Serviço de Finanças.

Até 16 de Setembro
IES
Fim do prazo de entrega da Declaração de Informação Empresarial simplificada (IES), por transmissão electrónica de dados pelos sujeitos passivos de IRC/IRS, acompanhada dos respectivos Anexos.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

NOVO IMPOSTO | SIMULAÇÃO DO NOVO IMPOSTO EXTRAORDINÁRIO


Partilho convosco uma simulação publicada pelo Jornal de Negócios sobre o novo imposto extraordinário a aplicar no subsídio de Natal.


Fonte: Jornal de Negócios

quinta-feira, 26 de maio de 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

UE | PREVISÕES DA PRIMAVERA 2011-2012

Previsões da Primavera 2011-2012: a recuperação da Europa confirma-se, embora estejam a surgir novos riscos

A economia da UE parece encaminhar-se para uma maior consolidação da sua recuperação gradual, com as perspectivas para 2011 a serem ligeiramente melhores do que o projectado no Outono. Está previsto um aumento do PIB em cerca de 1 ¾% este ano e em quase 2% em 2012.

Estas previsões são confirmadas por perspectivas mais positivas para a economia mundial e pelo optimismo manifestado, em geral, pelo sector empresarial da UE. No entanto, a inflação está a aumentar mais rapidamente, reflectindo os aumentos nos preços dos produtos de base. A inflação global deverá atingir este ano, em média, quase 3% na UE e 2 ½% na zona euro, antes de aliviar para 2% e 1 ¾%, respectivamente, em 2012. Entretanto, as condições no mercado de trabalho deverão melhorar lentamente ao longo do período abrangido pelas previsões. Está prevista uma diminuição da taxa de desemprego em ½ ponto percentual, para um pouco mais de 9% na UE e para 9 ¾% na área do euro, até 2012. A consolidação orçamental está a avançar, prevendo-se uma descida dos défices públicos para cerca de 3 ¾ % do PIB até 2012. No entanto, as perspectivas continuam a ser muito variáveis de um Estado-Membro para outro.

O Comissário Europeu responsável pelos Assuntos Económicos e Monetários, Ollie Rehn, declarou: «A principal mensagem que transmitimos nas nossas previsões é que a recuperação da Europa é sólida e continua o seu caminho, apesar de alguma turbulência externa recente e de tensões nos mercados de dívida soberana. Os défices públicos estão claramente a diminuir. É essencial, neste momento, reforçar essas tendências de crescimento e consolidação e garantir que se traduzam num aumento do número e da qualidade do emprego. Para tal, será necessário continuar a avançar na consolidação orçamental e na aplicação determinada das reformas estruturais que ajudarão a criar empregos e a melhorar a competitividade das nossas economias».

A recuperação económica confirma-se

A recuperação económica continua a avançar na UE, apesar de algumas vulnerabilidades residuais nos mercados financeiros e de um ambiente externo que coloca desafios crescentes. A recuperação está a acelerar e deverá continuar nesse caminho ao longo de 2011, mais ou menos como anunciavam as previsões de Outono.

O investimento em equipamentos deverá acelerar significativamente este ano, apoiado na revisão em alta das perspectivas de crescimento das exportações. O investimento no sector da construção, pelo contrário, continuará a diminuir, reflectindo os ajustamentos em curso em diversos Estados-Membros. O consumo privado, entretanto, deverá recuperar de forma ligeira este ano na UE, numa recuperação gradual que deverá depois continuar a ser alimentada pela lenta melhoria das condições no mercado de trabalho, por um aumento moderado dos rendimentos e pela diminuição das taxas de poupança.

No entanto, as taxas de inflação em alta limitaram de certa forma o ritmo da recuperação gradual, por comparação com o que indicavam as previsões do Outono. Por outro lado, o processo de desalavancagem ainda em curso, tanto por parte das empresas como das famílias, a cada vez maior aversão ao risco e o impacto da consolidação orçamental deverão ter efeitos negativos no capital e no consumo a curto prazo.

Como acontece tipicamente na recuperação que se segue a crises financeiras profundas, a recuperação da UE deverá ser mais lenta do que aconteceu no passado, embora, à medida que a procura do consumo privado for aumentando, a recuperação tenda a ser cada vez mais sustentada. Em termos de médias anuais, prevê-se um crescimento do PIB ligeiramente acima dos 1 ½% na área do euro e dos 1 ¾% na UE durante este ano, e de cerca de 2% em ambas as zonas em 2012. Os valores de 2011 são ligeiramente superiores ao que era esperado na anterior previsão completa, do último Outono.

Evolução diferenciada consoante os Estados-Membros

Esta imagem global esconde grandes diferenças na evolução verificada em diferentes Estados-Membros. Alguns países, em particular a Alemanha, mas também outras pequenas economias orientadas para a exportação, registaram uma sólida retoma da actividade, enquanto que outros, nomeadamente alguns países periféricos, estão a perder terreno. Será de esperar que o ritmo de recuperação continue a ser variável no seio da UE.

A correcção em curso dos desequilíbrios intra-UE deverá continuar ao longo do período abrangido pelas previsões. O ajustamento será mais marcado nos países que apresentavam um défice mais elevado quando surgiu a crise, em grande medida devido à contracção do consumo. Verifica-se também que certos excedentes estruturais das contas correntes que eram tradicionalmente elevados estão a diminuir gradualmente, devido a um aumento da procura interna e ao dinamismo das importações.

Uma perspectiva de recuperação com bastante desemprego, mas com um melhoramento continuado das finanças públicas

A situação dos mercados de trabalho da Europa continua a ser muito variável, com a taxa de desemprego a variar entre 4-5%, nos Países Baixos e na Áustria, e 17-21% em Espanha e nos Países Bálticos. O emprego aumentou ligeiramente na UE no último trimestre de 2010, alimentado por uma evolução positiva em todos os sectores, com excepção do sector industrial e do sector da construção.

Tendo em conta o desfasamento habitual entre a produção e o aumento do emprego, este último deverá melhorar ligeiramente em ambas as zonas consideradas, ao longo deste ano. As perspectivas em termos de desemprego apontam para uma diminuição de cerca de ½ ponto percentual ao longo do período abrangido pelas previsões, em ambas as zonas consideradas. No entanto, e apesar de algumas melhorias desde o Outono, as perspectivas continuam a apontar para uma recuperação com bastante desemprego.

As finanças públicas começaram a melhorar no ano passado. Devido ao crescimento maior do que previsto e ao final das medidas temporárias de estímulo à economia, prevê-se uma diminuição do défice geral dos Estados da UE de cerca de 6 ½% do PIB em 2010 para cerca de 4 ¾% em 2011 e 3 ¾% em 2012, com um padrão de evolução semelhante mas algo mais lento na área do euro. Esta perspectiva é ligeiramente melhor do que se previa no Outono. A diminuição das despesas constituirá o essencial dos ajustamentos em ambas as zonas consideradas. A taxa de endividamento, pelo contrário, continua a aumentar ao longo do período abrangido pelas previsões, prevendo-se que venha a atingir cerca de 83% do PIB na UE e 88% na área do euro em 2012.

A inflação tem tendência para aumentar

Uma inflação relativamente elevada nos preços para o consumidor deverá ocorrer tanto na UE como na zona euro durante o futuro próximo, embora com níveis muito inferiores ao pico de 2008. Sobretudo impulsionada pela alta dos preços da energia, a inflação global deverá atingir este ano, em média, quase 3% na UE e 2 ½% na zona euro, antes de aliviar para cerca de 2% e 1 ¾%, respectivamente, em 2012.

A margem considerável ainda disponível na economia deverá conter tanto o aumento da massa salarial como a inflação subjacente, compensando parcialmente os previstos aumentos nos preços da energia e dos produtos de base.

Riscos para o crescimento persistentes, num ambiente cada vez mais incerto

As alterações políticas em curso no Médio Oriente e no Norte de África, associadas às consequências económicas do terramoto e do tsunami no Japão, alimentaram a incerteza e constituem um risco para a actividade económica mundial, podendo potencialmente conduzir a uma inflação mais elevada a nível mundial e a um crescimento inferior ao previsto no cenário de base.

Os mercados financeiros e, em particular, certos segmentos de títulos da dívida soberana, continuam frágeis, não podendo ser excluídos possíveis efeitos cíclicos prejudiciais. Constatam-se também riscos associados à tensão nos mercados de câmbio.

Pelo lado positivo, um crescimento mundial superior ao esperado, devido a um aumento da procura interna em mercados emergentes, poderá beneficiar ainda mais o crescimento das exportações da UE. A nível interno, a reorientação do crescimento do PIB da UE para a procura interna poderá revelar-se superior ao considerado nas previsões, com possíveis surpresas positivas, por exemplo, no mercado de trabalho. Da mesma forma, os efeitos positivos para outros Estados-Membros do forte impulso que se verifica na Alemanha poderão ser maiores do que se previa.

Em termos gerais, o equilíbrio dos riscos para as previsões de crescimento económico aqui apresentadas parece claramente negativo.

Informação mais detalhada em



quarta-feira, 11 de maio de 2011